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Atividade 05 | Leituras temáticas recomendadas
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autores:

                João M. Parakesva

               Professor Associado da Universidade de Massachusetts, EUA. Fundador da revista Currículo                    sem Fronteiras e coordenador de diversas coleções no campo da educação e currículo.

               Wayne Au

               Professor Associado na Universidade de Washington, EUA. Editor da revista "Rethinking                            Schools" e responsável por diversas obras sobre educação, focando-se em teorias criticas                        educacionais, análise crítica política e ensino para justiça social. 

Reflexão: 

         O livro que nos suscitou maior interesse foi "O Direito à Escolha em Educação" de João Paraskeva e Wayne Au, e para análise de grupo, seleccionamos o capítulo 4: "As Falsas Premissas e as Falsas Promessas do Movimento de Privatização do Ensino Público"  de Willis D. Hawley. Neste capítulo, o autor debruça-se sobre a privatização do ensino público e nas falsas premissas e promessas inerentes a essa privatização.

              Primeira falsa premissa: "A qualidade do ensino público decaiu nos últimos anos." Não existe nenhum estudo fidedigno nos últimos quinze anos que ateste esta afirmação. No entanto, não é menos verdade que houve poucas melhorias do sucesso escolar.

             Segunda falsa premissa: "As escolas privadas preocupam-se mais com o sucesso escolar dos alunos que as escolas públicas." Segundo investigações disponíveis, os alunos das escolas privadas tem tendência para obter classificações ligeiramente superiores. Contudo, este fato não é consistente, uma vez que as escolas privadas podem seleccionar os alunos inscritos, ao contrário das escolas públicas.

                Terceira falsa premissa: "Dar aos pais opções no sector privado irá fomentar a competição das escolas pelos estudantes, e isto trará melhorias para a qualidade global da instrução e para o rigor dos programas tanto das escolas públicas como das privadas." Se assim fosse, as escolas privadas teriam melhores resultados e competiriam pelos estudantes para melhorar o seu sucesso. Apesar de inúmeros artigos sobre a escolha das escolas, nenhum deles identificou a inovação como diferenciação das escolas privadas e públicas.

               Quarta falsa premissa: "Se houvesse mais pais com poder económico para escolher escolas privadas, isto encorajaria os empresários privados a entrar no mercado, o que levaria ao desaparecimento das escolas fracas e ao melhoramento da qualidade tanto das escolas privadas como públicas." No entanto, não existem condições que favoreçam a produção de competição de qualidade, como as boas escolas privadas não pretendem potencializar os lucros mas sim os serviços.

                      Quinta falsa premissa: "Dar aos pais cheques-ensino fará com que todas as crianças tenham a mesma oportunidade de frequentar escolas privadas." As diferenças entre os pais, especialmente relacionadas com os rendimentos, implicará que às famílias mais pobres apenas sobrarão as opções que as famílias mais ricas rejeitarem.

                  Sexta falsa premissa: "A potencial eficiência da disponibilização de fundos públicos para as propinas das escolas privadas é ilustrada pela expansão e sucesso dos planos de escolha das escola públicas." Ou seja, a escolha das escolas publicas é boa, porém a escolha das escolas privadas é no mínimo boa, ou até mesmo melhor... Contudo, existem vários argumentos que incentivam à escola pública, tais como a diversidade racial e étnica, a distribuição de recursos idêntica entre escolas, as necessidades dos alunos com dificuldades de aprendizagem serem atendidas, semelhanças do programa entre escolas, etc..

                  Em suma, mais importante que a escolha da escola é como dotar as crianças a nível intelectual e moral para que possam lidar com situações complexas que requerem a interacção com pessoas diferentes e lidar com a incerteza do incerto. Podemos dizer que a privatização do ensino público não é mais do que uma utopia...! e se seguirmos esta falsa promessa fomentaremos a divisão da nação, provocando risco económico, social e político.

Fichas de leitura:

Capítulo 3

Schools, R. (Edit.). (2010). A Escolha da Escola: Perguntas e Respostas. In J. Paraskeva & W. Au. (Org), O Direito à Escolha em Educação. (pp. 65-73). Mangualde: Edições Pedago, LDA, 

Palavras-chave: Cheques-ensino; Escolas públicas; Escolas privadas.

Principais Ideias:

Este capítulo reúne 12 questões pertinentes sobre os cheques-ensino nos Estados Unidos da América, que nos faz ponderar se os cheques-ensino serão uma mais valia. Supostamente, eram os pais que tinham o direito de escolherem a escola que quiserem para os seus filhos, obstante não poderão ficar à espera que os contribuintes paguem essa mesma escola. Além disso, não é unicamente uma questão dos pais escolherem mas também das escolas privadas escolherem os alunos, ou seja, seleccioná-los.

Num sistema de cheques-ensino, a probabilidade de discutir democraticamente o que será melhor para as crianças, desapareceria, uma vez que estaria em questão os interesses do estado versus a melhor educação para as crianças. No final de contas, o abandono da educação pública só acresceria as desigualdades na educação.

Conclusão: 

Como podemos depreender ao longo do capítulo, muitas críticas são feitas, uma vez que os cheques-ensino favorecem a desigualdade na educação. Teoricamente, os cheques-ensino trazem as mesmas possibilidades de frequentar escolas privadas, mas tal não seria possível pois nem todas as crianças tem poder económico para essas despesas.

Na realidade, as escolas públicas tem um caminho longo a percorrer para se tornarem numa escolha de maioria, melhorando o sistema de educação pública.

Joana Amaral

Capítulo 5

LaCour, N. (2010). Os Verdadeiros Sucessos da Educação Pública e a Falsa Promessa dos Cheques-Ensino. In J. Paraskeva & W. Au (Org.), O Direito à Escolha em Educação. (pp. 87-108) Mangualde: edições Pedago, LDA, 

Palavras-Chave: Cheques-ensino, Educação Publica; Educação Privada

Principais Ideias:

Com a implementação dos cheques-ensino há a oportunidade dos mais pobres e das minorias terem uma mais valia no ensino, não se reduzindo apenas a escolas públicas. Contudo, os cheques-ensino são unicamente uma criação de um sistema de mercado de escolas, logo, são os pobres e as minorias que mais perdem. Verifica-se também uma incapacidade deste programa em produzir as melhorias do sucesso escolar.

Conclusão: 

Resumindo, para que o sucesso escolar seja possível, tem que se apostar em melhorar diretamente as escolas, com objetivos concretos e igualitários para todos, acabando com as desigualdades.

Os cheques-ensino  iriam piorar bastante a situação, provocando um retrocesso no progresso educativo dos Estados Unidos.

Ricardo Amaral

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